Paulo Martinez – A formação da cidadania

“Não se pode pensar em nenhum homem que não seja também filósofo, que não pense, precisamente  porque pensar é próprio do homem como tal”.

(Antonio Gramsci,1891-1937,pensador italiano)

A FORMAÇÃO DA CIDADANIA

Em todas as manifestações de caráter social, político e econômico, da mais inconseqüente opção pessoal às mais sérias decisões de governo, o ser humano é guiado por dois comportamentos básicos: pensar e agir, de acordo com os conhecimentos disponíveis. (...)
A interação contínua entre pensamento e ação permite ao homem tomar decisões, tanto as de natureza particular- como a escolha de um curso ou profissão ou a compra de um par de sapatos - ,quanto as que terão conseqüências coletivas, com a eleição de governantes ou a participação em manifestações públicas. Portanto, de  modo geral, as decisões  não são arbitrárias. Não importa o grau de consciência política que o indivíduo possui, ou a massa  de conhecimentos de que ele dispõe sobre uma questão: há sempre uma dose de reflexão em cada um dos seus atos.
É fácil de constatar que as idéias, as opiniões, as atitudes e as ações não seguem um esquema simples, mecanicista e uniforme, pois as diferentes preocupações que atormentam o homem se embaralham e se cruzam a cada instante e às vezes se chocam. É como se todas as provas automobilísticas do mundo fossem disputadas ao mesmo tempo no mesmo autódromo.
A formação do cidadão consiste em capacitá-lo  a pôr ordem nesse processo, que se desenvolve ao seu redor mas sempre explode dentro dele. A principal contribuição formativa da educação é a de atuar sobre esse mecanismo mental decisório e ajustá-lo o mais corretamente possível, equilibrando os conhecimentos, as habilidades e as atitudes segundo padrões  éticos, morais e outros, válidos para todas, ou para a maioria das pessoas.
Não existe um método infalível para que alguém possa chegar, sempre, às  melhores decisões sobre todas as coisas, mas pode-se melhorar a capacidade de raciocínio com a prática, o estudo, a crítica, a reflexão. O grande objetivo, que mais parece um ideal inatingível, é conseguir que cada indivíduo se torne autônomo, isto é, que seja capaz de decidir por si mesmo,não se sujeitando a interferências ou pressões externas. É o caminho que levará à formação de cidadãos conscientes.

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